Quando alguém começa a jogar Beach Tennis, nem sempre está procurando um programa de exercícios. Às vezes o convite veio de um amigo, a arena abriu perto de casa ou simplesmente pareceu mais divertido trocar bolas na areia do que fazer uma atividade que já não despertava vontade de continuar.
Depois das primeiras aulas, porém, fica evidente que existe bastante movimento por trás daquela aparência descontraída.
Você precisa se posicionar antes da bola chegar, deslocar-se numa superfície que cede sob os pés, controlar a raquete, reagir rapidamente e continuar atento ao parceiro e aos adversários. Quando o ritmo da troca aumenta, o corpo inteiro participa.
É daí que vale começar a falar dos benefícios do Beach Tennis.
Não como uma lista de promessas que aparecerão simplesmente porque você comprou uma raquete, mas como possíveis resultados de uma atividade física praticada com frequência, intensidade adequada e continuidade.
Beach Tennis coloca o corpo em movimento de um jeito pouco repetitivo
Há atividades em que você repete praticamente o mesmo movimento durante bastante tempo. No Beach Tennis, a situação muda a cada bola.
Às vezes você precisa dar poucos passos para frente. Em outra jogada, desloca-se lateralmente. Depois aparece uma bola alta, uma defesa curta ou uma troca que exige vários pequenos ajustes de posição.
Isso faz com que a atividade tenha momentos mais intensos intercalados com períodos de menor exigência.
Um estudo que analisou respostas fisiológicas de mulheres jogando Beach Tennis encontrou diferenças claras de frequência cardíaca, número de passos e gasto energético durante as partidas. O formato individual foi mais exigente do que o jogo em duplas, o que também mostra por que não podemos falar de uma única intensidade para todo Beach Tennis.
Na prática, significa que o esporte pode oferecer uma sessão de atividade física bastante dinâmica, mas aquilo que seu corpo fará dependerá de nível, formato da partida, duração e ritmo dos jogadores.
Jogar na areia muda o esforço
A areia não oferece a mesma resposta de uma quadra rígida.
Quando você empurra o pé contra o chão, parte daquela força é absorvida pela superfície. Por isso, arrancadas, mudanças de direção e recuperação de posição têm uma sensação diferente.
Quem joga pela primeira vez costuma perceber isso rápido. Um deslocamento que parece simples olhando de fora pode exigir bastante das pernas quando você precisa repeti-lo durante uma aula inteira.
Isso não significa que cada movimento na areia seja automaticamente “melhor” para o corpo. Significa que a superfície acrescenta uma demanda própria ao jogo.
Pernas, quadris e tronco participam constantemente da tentativa de manter equilíbrio e posicionamento enquanto a bola continua vindo.

Pernas trabalham mesmo quando você não está correndo muito
Um iniciante pode terminar a primeira aula pensando:
“Mas eu nem corri tanto assim. Por que estou sentindo as pernas?”
Porque Beach Tennis não depende apenas de grandes corridas.
Boa parte da movimentação acontece por meio de pequenos ajustes, saídas laterais, retomadas de posição e estabilização do corpo na areia. Mesmo quando você não percorre longas distâncias, está constantemente corrigindo onde pisa e preparando o corpo para o próximo golpe.
Com o tempo, a movimentação tende a ficar mais eficiente porque o jogador começa a reconhecer melhor a trajetória da bola.
Isso é importante: evoluir não significa necessariamente correr cada vez mais.
Em muitos momentos significa chegar melhor posicionado e gastar menos movimento desnecessário.
Braços e ombros também participam bastante
Beach Tennis é um esporte de raquete e boa parte dos golpes ocorre com o braço trabalhando acima ou próximo da altura dos ombros.
Saque, voleios altos e ataques exigem participação de ombro, braço, antebraço e mão, enquanto tronco e pernas ajudam a organizar o movimento.
Essa característica faz com que Beach Tennis não seja uma atividade exclusivamente de membros inferiores.
Ao mesmo tempo, ela nos dá um bom motivo para não romantizar os benefícios.
Movimentos repetidos de raquete também podem produzir sobrecarga quando volume de treino, técnica e recuperação não acompanham a evolução do praticante. Estudos brasileiros sobre lesões na modalidade encontraram problemas tanto nos membros inferiores quanto em ombro e cotovelo, mostrando que aumentar muito a exposição sem adaptação não é uma estratégia inteligente.
O corpo se beneficia do movimento quando também tem oportunidade de se adaptar a ele.
Coordenação aparece em praticamente todos os pontos
A bola vem pelo alto, o parceiro está ao lado, existe uma rede à frente e você precisa controlar uma raquete que ainda pode parecer estranha nas primeiras aulas.
Tudo isso precisa acontecer junto.
A visão acompanha a trajetória. Os pés ajustam a posição. O braço prepara o golpe. A mão controla a raquete e o corpo precisa encontrar equilíbrio suficiente para mandar a bola para onde você pretende.
Esse conjunto transforma o Beach Tennis numa atividade que exige bastante coordenação entre percepção e movimento.
No começo, é normal sentir que a cabeça entendeu a bola antes de o corpo conseguir chegar nela.
Com prática, algumas dessas decisões começam a ficar mais automáticas, liberando atenção para direção, parceiro e posicionamento adversário.
Tempo de reação faz parte do jogo
Como a bola não pode tocar a areia antes de ser devolvida, você não tem o intervalo de um quique para reorganizar completamente o golpe.
Isso reduz o tempo disponível para interpretar a jogada.
Conforme as trocas ficam mais rápidas, o jogador precisa perceber direção, velocidade e altura da bola quase imediatamente.
Não precisamos transformar isso numa promessa de que Beach Tennis “deixa seus reflexos extraordinários”. O ponto é mais simples: reação e antecipação fazem parte das habilidades constantemente utilizadas durante a prática.
É justamente esse tipo de desafio que torna o esporte tão envolvente para algumas pessoas.
Você dificilmente consegue pensar em outra coisa no meio de uma troca rápida.
A atenção fica ocupada com o jogo
Essa talvez seja uma característica pouco lembrada quando falamos de benefícios.
Durante um ponto, existe pouca oportunidade para continuar pensando naquela mensagem que chegou no celular, no problema do trabalho ou na lista de tarefas que ficou em casa.
Você precisa saber onde está a bola, onde está seu parceiro e o que fazer em seguida.
Isso não significa que Beach Tennis seja tratamento para ansiedade, estresse ou qualquer condição de saúde mental.
Mas existe algo interessante numa atividade que exige presença.
Durante aquele período, sua atenção ganha uma tarefa concreta e imediata.
Para algumas pessoas, essa sensação de entrar na quadra e passar algum tempo envolvidas com uma atividade pode ser parte importante do motivo pelo qual continuam praticando.
Diversão também conta quando queremos manter uma atividade física
Podemos criar o programa de exercícios teoricamente perfeito, mas ele não vale muito se a pessoa detesta fazê-lo e abandona depois de duas semanas.
É por isso que gosto de separar duas perguntas:
“Essa atividade faz meu corpo trabalhar?”
e
“Tenho vontade de voltar para fazer novamente?”
No Beach Tennis, a segunda pode ter um peso enorme.
Existe jogo, desafio, evolução técnica, pontuação e interação. Cada partida é ligeiramente diferente da anterior.
Para alguém que acha atividades repetitivas pouco estimulantes, esse elemento lúdico pode facilitar a construção de uma rotina de movimento.
Não é um benefício fisiológico mágico do Beach Tennis.
É um benefício prático muito importante: uma atividade que você gosta tem mais chance de encontrar espaço real na sua vida.
Jogar em dupla acrescenta uma dimensão social que não existe em toda atividade
Boa parte do Beach Tennis é jogada em duplas.
Isso significa que você depende de outra pessoa para jogar e, inevitavelmente, começa a existir comunicação. Quem pega a bola? Como vamos nos posicionar? Quem serve agora? Vamos jogar outra?
Com o tempo, aulas coletivas e grupos de jogo podem ampliar esse contato para além da própria dupla.
Aqui existe uma base interessante na pesquisa sobre esportes em geral. Revisões envolvendo adultos encontraram associação entre participação esportiva, interação social, sensação de pertencimento e diferentes indicadores de bem-estar. Os próprios pesquisadores, porém, destacam que muitos estudos são observacionais e não permitem afirmar que praticar um esporte, sozinho, produz necessariamente esses resultados.
Para nosso artigo, essa cautela é ótima.
Não precisamos dizer:
“Beach Tennis melhora sua saúde mental.”
Podemos dizer algo muito mais verdadeiro:
Beach Tennis cria oportunidades frequentes de interação, e essa dimensão social pode ser uma parte importante da experiência para muita gente.
Para quem trabalha sozinho, essa interação pode ter ainda outro valor
Imagine alguém que passa boa parte do dia diante do computador, em home office ou numa rotina com pouca interação presencial.
Uma aula coletiva no fim da tarde não representa apenas exercício.
Há outra atividade, outro ambiente e outras pessoas.
Isso não significa que todo grupo será maravilhoso nem que jogar automaticamente produzirá amizades. Existem turmas com perfis diferentes, pessoas mais competitivas e outras mais recreativas.
Mas a própria estrutura do esporte cria oportunidades que uma caminhada solitária ou uma bicicleta ergométrica em casa não criam da mesma forma.
Esse aspecto pode fazer bastante diferença para quem procura uma atividade física com componente social, e não apenas gasto de energia.
O esporte pode ajudar a tirar a atividade física do campo da obrigação
Muita gente pensa em exercício usando a linguagem do dever:
“preciso treinar”.
“tenho que fazer alguma atividade”.
“deveria me mexer mais”.
Uma modalidade esportiva pode mudar essa relação porque passa a existir outro objetivo além do exercício.
Você quer conseguir devolver aquela bola. Quer acertar o saque. Quer jogar melhor com o parceiro ou participar da próxima partida.
O movimento continua acontecendo, só que ele deixa de ser o único motivo para estar ali.
Para algumas pessoas, essa mudança é poderosa porque o foco sai do exercício como obrigação e vai para uma habilidade que dá vontade de aprender.
Você também começa a perceber pequenas evoluções
No início, uma bola um pouco mais distante parece impossível.
Depois de algumas semanas, você começa a chegar nela.
O saque que mal passava da rede ganha mais controle. Você entende melhor onde ficar, deixa de correr atrás de todas as bolas e começa a perceber quando aquela jogada pertence ao parceiro.
Esses pequenos avanços criam uma sensação concreta de aprendizado.
Não precisamos transformar isso em uma promessa psicológica. Basta reconhecer que esporte oferece algo que nem toda forma de exercício oferece com tanta clareza: você pode perceber que está aprendendo a jogar.
E essa evolução técnica pode se tornar outro motivo para continuar.

Beach Tennis pode melhorar o condicionamento?
Aqui precisamos escolher bem as palavras.
Beach Tennis pode ser uma atividade capaz de produzir estímulo cardiovascular, porque durante o jogo frequência cardíaca e demanda fisiológica aumentam. Estudos específicos da modalidade já conseguem demonstrar isso durante partidas.
Agora, afirmar que determinada pessoa “vai melhorar o condicionamento” depende de outra coisa: frequência, intensidade, duração, condição inicial e continuidade.
Uma pessoa que joga uma partida leve uma vez por mês não recebe o mesmo estímulo de alguém que pratica regularmente com intensidade progressiva.
O benefício não vem simplesmente da etiqueta “Beach Tennis”.
Vem do estímulo que realmente acontece e da repetição desse estímulo ao longo do tempo.
E a resistência física?
A mesma lógica vale aqui.
Conforme você pratica com regularidade, pode perceber que consegue permanecer mais tempo na quadra ou sustentar trocas que antes causavam cansaço rapidamente.
Isso pode refletir adaptação à atividade, melhor eficiência de movimento, conhecimento técnico e condicionamento.
Mas não precisamos prometer que todo praticante atingirá determinado nível depois de certo número de aulas.
Corpos, ritmos e rotinas são diferentes.
Para o iniciante, uma meta muito mais útil é perceber se a prática está ficando mais confortável e sustentável ao longo das semanas.
E força? Jogar substitui musculação?
Eu não faria essa equivalência.
Beach Tennis exige produção de força para deslocar-se, estabilizar o corpo e executar golpes, mas isso não torna a modalidade substituta automática de um programa estruturado de fortalecimento.
São estímulos diferentes.
Dependendo dos objetivos da pessoa, exercícios de força podem inclusive complementar a prática esportiva.
Isso fica especialmente relevante conforme aumentam frequência, intensidade e competição.
O importante neste artigo é não transformar “usar músculos durante o jogo” em “Beach Tennis resolve todas as necessidades de força”.
Não resolve.
Equilíbrio e estabilidade também entram no jogo
A areia cria pequenas instabilidades o tempo inteiro.
Seu pé afunda, a base muda e o corpo precisa se ajustar enquanto você acompanha a bola.
Além disso, vários golpes são realizados em posições menos confortáveis do que aquelas que escolheríamos se tivéssemos tempo para nos preparar perfeitamente.
Isso faz com que controle corporal e estabilidade estejam presentes durante a prática.
Mais uma vez, prefiro dizer que essas capacidades são exigidas e treinadas dentro do contexto do jogo, em vez de prometer melhora específica de equilíbrio para qualquer pessoa.
A dose e a progressão importam.
Dá para começar mesmo sem estar “em forma”?
Para muita gente, sim, desde que a entrada seja adequada ao nível atual.
Você não precisa alcançar determinado condicionamento para merecer entrar numa aula de iniciante.
A aula é justamente o lugar para começar a construir familiaridade com deslocamento, raquete e ritmo do jogo.
A intensidade pode ser controlada por duração, exercícios escolhidos, quantidade de jogadores e intervalos.
O problema seria tentar acompanhar imediatamente alguém que joga há anos e considerar aquele ritmo o mínimo necessário para participar.
Não é.
Uma progressão bem feita permite que o corpo tenha tempo para se acostumar à areia e aos movimentos do esporte.
Quem estava sedentário precisa respeitar ainda mais essa progressão
A empolgação do começo pode ser traiçoeira.
Você faz a primeira aula, gosta, marca outra no dia seguinte, entra numa partida no fim de semana e de repente saiu de quase nenhuma atividade para várias horas de movimento em areia numa mesma semana.
Seu entusiasmo pode mudar em três dias.
O corpo não muda tão rápido.
Pesquisas com praticantes de Beach Tennis já encontraram relação entre maior exposição à modalidade e ocorrência de lesões, além de problemas em regiões como tornozelo, joelho, ombro e cotovelo.
Isso não é motivo para ter medo do esporte.
É motivo para dar tempo à adaptação.
Sentir esforço não significa que algo esteja errado
As primeiras sessões podem gerar cansaço porque você está fazendo movimentos pouco habituais.
A sensação de esforço durante a atividade também varia muito conforme condicionamento, temperatura, duração e intensidade do jogo.
Só precisamos separar esforço esperado de dor persistente ou sinal de lesão.
Se uma região começa a doer repetidamente, piora durante as partidas ou continua incomodando fora da quadra, insistir porque “esporte dói mesmo” não é uma boa estratégia.
Uma atividade que pode trazer benefícios deixa de ajudar quando você transforma dor em obrigação.
Beach Tennis também pode ser uma porta de entrada para outras mudanças
Às vezes começar uma atividade física muda a rotina de maneira indireta.
A pessoa percebe que joga melhor quando dorme adequadamente. Começa a levar água para a quadra. Organiza o horário para conseguir treinar e passa a prestar mais atenção em como chega para jogar.
O esporte não causa automaticamente todos esses comportamentos.
Mas pode criar um motivo concreto para cuidar melhor daquilo que influencia a experiência na quadra.
Essa é uma diferença interessante entre “quero melhorar minha rotina algum dia” e “tenho jogo amanhã às 19h”.
O segundo cria um compromisso bastante específico.
Hidratação passa a importar mais quando você joga no calor
Muitas quadras são abertas ou ficam em ambientes quentes.
Somamos movimento, areia e temperatura e temos uma situação em que chegar bem hidratado e ter água disponível faz sentido.
Não precisamos transformar este artigo numa página sobre hidratação esportiva.
O ponto é perceber que o contexto influencia a prática.
Um jogo leve numa noite fresca e uma partida intensa numa tarde quente não representam o mesmo desafio para o corpo.
Quem começa a jogar regularmente aprende também a observar essas diferenças.
O mesmo acontece com descanso
Mais treino nem sempre significa mais benefício.
Se você aumenta rapidamente a frequência e não permite recuperação adequada, o corpo pode começar a responder pior em vez de melhor.
Isso vale especialmente para quem também pratica musculação, corrida, futebol ou outros esportes durante a semana.
Beach Tennis precisa entrar na rotina como mais uma carga física, não como se aquelas horas na areia não contassem porque foram divertidas.
Diversão não anula esforço.
E alimentação?
Ela obviamente participa do contexto, mas não vamos transformar esta página em outro artigo de nutrição.
O que você come antes de uma atividade pode interferir em conforto e disponibilidade de energia, especialmente quando existe pouco tempo entre a refeição e a partida.
Nós já temos uma página específica sobre o que comer antes do Beach Tennis, portanto esse assunto deve continuar aprofundado lá.
Beach Tennis ajuda a emagrecer?
Ele é uma atividade física e envolve gasto de energia.
Mas parar nessa frase e concluir “logo emagrece” pula várias etapas.
Perda de peso não depende apenas das calorias gastas em uma partida, e o próprio gasto muda bastante conforme intensidade, duração, modalidade individual ou dupla e características do praticante.
O estudo que comparou jogos femininos individuais e de duplas encontrou gasto energético e respostas cardiovasculares diferentes entre os dois formatos. Isso já mostra por que números universais do tipo “uma hora de Beach Tennis queima X calorias” precisam ser vistos com bastante cautela.
Como esse tema merece uma explicação própria, o próximo artigo do Sprint ficará inteiro dedicado a ele.
Aqui basta dizer que movimento e gasto energético fazem parte da modalidade, mas não criam promessa automática de emagrecimento.
Existe um benefício melhor do que os outros?
Depende de quem está jogando.
Para alguém que passava muitas horas sentado, talvez o maior ganho inicial seja encontrar uma atividade que realmente consegue manter.
Para outra pessoa, pode ser o componente social.
Há quem se interesse pela evolução técnica, quem procure competição e quem simplesmente goste de passar uma hora concentrado numa bola em vez de ficar olhando uma tela.
É justamente por isso que reduzir todos os benefícios do Beach Tennis a “queima calorias” empobrece tanto o esporte.
A prática pode oferecer diferentes razões para continuar.
E continuidade costuma importar muito mais do que o entusiasmo da primeira semana.
O melhor benefício talvez seja encontrar uma atividade que cabe na sua vida
Existe uma tendência de procurar a atividade física perfeita.
A que mais gasta energia, trabalha mais músculos, produz o melhor condicionamento ou aparece no topo de alguma comparação.
Só que uma atividade excelente no papel e abandonada depois de um mês produz pouco efeito prático.
Beach Tennis tem uma característica interessante porque combina exercício com aprendizado, jogo e interação.
Isso não o torna superior a todas as outras modalidades.
Torna-o uma opção muito boa para quem se identifica com esse tipo de experiência.
Se você gosta da quadra, gosta das pessoas com quem joga e começa a esperar pelo próximo treino, talvez tenha encontrado algo bastante valioso: uma forma de movimento que não precisa ser negociada consigo mesmo toda vez que chega o horário.
Mais não é sempre melhor
Quando alguém descobre uma atividade de que gosta, é comum querer acelerar.
Mais aulas, mais partidas, torneio no fim de semana, treino extra para melhorar o saque.
A evolução técnica pode até agradecer a dedicação, mas o corpo continua precisando de adaptação e recuperação.
Essa é uma mensagem especialmente importante num artigo sobre benefícios porque seria muito fácil passar a impressão de que, se jogar faz bem, jogar cada vez mais só pode fazer melhor.
Não funciona assim.
O benefício está num equilíbrio em que estímulo, recuperação e continuidade conseguem coexistir.
Beach Tennis não precisa virar competição para valer a pena
Também não existe obrigação de subir de categoria, disputar torneios ou levar o esporte cada vez mais a sério.
Algumas pessoas descobrem a competição e adoram.
Outras preferem continuar jogando duas vezes por semana com amigos.
Os benefícios de estar ativo, aprender uma habilidade e participar de uma atividade social não dependem de uma medalha.
Você pode querer melhorar sem transformar todo jogo em avaliação de desempenho.
Às vezes justamente essa liberdade é o que permite manter a modalidade por muito mais tempo.
Quando os benefícios começam a aparecer?
Não existe uma data universal.
Algumas coisas são percebidas rapidamente. Você pode notar que a segunda aula parece menos confusa do que a primeira ou que começou a entender melhor a trajetória da bola.
Outras dependem de semanas ou meses de prática regular e também do ponto de partida de cada pessoa.
Por isso, eu não usaria promessas como:
“em 30 dias você terá mais condicionamento”.
É muito mais útil observar a sua própria evolução.
Você consegue jogar por mais tempo com conforto? Está se posicionando melhor? A atividade entrou na rotina? Continua tendo vontade de voltar?
Essas mudanças contam bastante.
O corpo trabalha, mas a experiência vai além do corpo
Talvez seja essa a característica que explique melhor o interesse pelo Beach Tennis.
Dentro da quadra existe exercício. Há deslocamento, esforço cardiovascular, coordenação, reação e participação de diferentes regiões do corpo.
Mas também existe jogo.
Existe um parceiro ao lado, um adversário do outro lado e uma habilidade que demora para ser dominada.
Essa mistura faz com que a pessoa nem sempre termine uma partida pensando apenas em quantos minutos se exercitou.
Ela pensa naquela bola que quase conseguiu defender, no ponto engraçado, no saque que finalmente entrou ou em quem vai jogar na próxima vez.
E talvez seja justamente aí que esteja um dos benefícios mais interessantes da modalidade: atividade física deixa de ser apenas algo que você precisa fazer e pode se transformar em algo que você quer continuar aprendendo.
Perguntas frequentes
Quais são os principais benefícios do Beach Tennis?
Beach Tennis oferece uma atividade que envolve deslocamentos, coordenação, reação, controle corporal e esforço cardiovascular. Por ser muito praticado em duplas e grupos, também cria oportunidades frequentes de interação social.
Beach Tennis melhora o condicionamento físico?
A prática pode produzir estímulo cardiovascular, mas a melhora do condicionamento depende de frequência, duração, intensidade, condição inicial e continuidade. Partidas com características diferentes também produzem demandas fisiológicas diferentes.
Beach Tennis trabalha as pernas?
Sim, as pernas participam bastante dos deslocamentos, mudanças de direção e estabilização do corpo na areia. Isso não significa que jogar substitua automaticamente um programa específico de fortalecimento.
Beach Tennis trabalha braços e ombros?
Raquete, saque, voleios e outros golpes envolvem braços, ombros e tronco. Justamente por haver movimentos repetidos, volume de prática e técnica também precisam progredir adequadamente.
Beach Tennis faz bem para a mente?
É melhor não tratar o esporte como tratamento de saúde mental. A participação esportiva em adultos está associada em pesquisas a indicadores positivos de bem-estar e interação social, especialmente em atividades com componente coletivo, mas essas relações não permitem prometer o mesmo resultado para cada pessoa.
Beach Tennis ajuda na coordenação?
Coordenação entre visão, posicionamento, equilíbrio e movimento da raquete é constantemente exigida durante o jogo. Com a prática, o jogador aprende a executar essas tarefas dentro da dinâmica específica do esporte.
Preciso estar em boa forma para começar?
Não necessariamente. Uma aula para iniciantes pode ajustar exercícios, intensidade e intervalos ao nível atual do aluno. Quem estava sedentário deve aumentar volume e intensidade progressivamente.
Beach Tennis emagrece?
O jogo envolve gasto energético, mas isso não significa perda de peso automática. Intensidade, duração, alimentação, frequência e características individuais interferem no resultado. Esse tema será aprofundado em um conteúdo específico.
Beach Tennis pode causar lesões?
Como qualquer esporte, pode. Estudos com praticantes relatam problemas principalmente em membros inferiores e também em ombro e cotovelo. Aumentar a exposição rapidamente e continuar jogando com dor não é uma boa estratégia.
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